Autor do interior de SP vende livros e para financiar aparelho auditivo para a mãe Andy Rodrigo tem 41 anos, mora em Sorocaba (SP) e divide seus dias entre a criação de mundos fantásticos na literatura, o artesanato com biscuit e o cuidado diário com a família. O escritor vive os desafios de uma carreira independente ao mesmo tempo em que procura meios de arrecadar, em uma corrida contra o tempo, a quantia necessária para comprar aparelhos auditivos para a mãe. Ao todo, já são cinco li

Autor do interior de SP vende livros e para financiar aparelho auditivo para a mãe Andy Rodrigo tem 41 anos, mora em Sorocaba (SP) e divide seus dias entre a criação de mundos fantásticos na literatura, o artesanato com biscuit e o cuidado diário com a família. O escritor vive os desafios de uma carreira independente ao mesmo tempo em que procura meios de arrecadar, em uma corrida contra o tempo, a quantia necessária para comprar aparelhos auditivos para a mãe. Ao todo, já são cinco livros publicados e uma peça em cartaz com base em uma história de Andy. A arte, a escrita e os palcos são as principais influências para o trabalho que ele busca manter como seu propósito de vida. Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Eu nunca escrevo uma história por besteira. Sempre gosto de trazer algo para a sociedade, algo que fale sobre preconceito, sobre drama, sobre cuidado com a vida", relata o autor. LEIA TAMBÉM: Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas; entenda o conceito Autora de Sorocaba funda editora para publicar mulheres e outros escritores e vai à Bienal de SP 'Ratos de biblioteca': na era digital, leitores mantêm paixão por livros físicos em acervos públicos 'Mais segredos que um diário': leitoras da região de Sorocaba contam como obras moldaram suas trajetórias Andy, que na verdade se chama Anderson, encontrou na literatura um caminho para abordar temas delicados especialmente com o público infanto juvenil. Em suas obras, alguns assuntos como a prevenção ao suicídio e a saúde mental dos jovens foram o principal guia para a moral da história. Seu primeiro livro publicado foi "Ainor, A Lenda do Príncipe Sem Asas", um épico de fantasia LGBT+ envolvendo elfos e fadas, cuja versão física mais recente foi lançada em outubro de 2024. Após essa primeira publicação, Andy seguiu com a divulgação do livro infantil "A Incrível Jornada de Fiero"; o infanto-juvenil "Boroa, Meu Melhor Amigo", que resgata lendas do folclore brasileiro na Amazônia; e o drama "Beijo da Morte". Este último, um dark romance protagonizado por um jovem de 16 anos que dialoga desde a infância com a morte. Andy Rodrigo começou a carreira no teatro, escrevendo peças em Itu (SP) Redes sociais / Reprodução A história que foi para os palcos No próximo final de semana (21 e 22 de novembro), uma peça escrita por Andy Rodrigo voltará aos palcos depois de nove anos de sua estreia. "Será que Ele É" acompanha a trajetória de Paulinho, um influenciador digital mundialmente famoso que, aterrorizado com a possibilidade de perder seu status, esconde sua homossexualidade. Após ter fotos íntimas vazadas na noite de seu aniversário, o protagonista embarca em uma jornada de autodescoberta para lidar com o preconceito e a própria aceitação. A peça foi realizada pela primeira vez em 2017. Anos depois, virou livro e, agora, em 2026, voltou ao teatro com sessões no Teatro Iara, em Itu (SP), na cidade natal do autor. Peça "Será Que Ele É?" terá sessões no Teatro Iara, em Itu (SP) Redes sociais / Reprodução O retorno para a família Para o autor, o sonho de "dar certo" com seus livros vai além de um reconhecimento profissional. Para ele, trata-se de uma questão de sobrevivência ao bem-estar da família. "Minha mãe é uma senhora de 70 anos e a gente está tentando, até hoje, conseguir a aposentadoria dela. Por uma falha de documentação, ela ainda não tem o dinheiro próprio dela. E mais recentemente ela perdeu a audição do ouvido esquerdo, então estamos indo atrás de financiar um aparelho para ela ouvir melhor. O tratamento fica em torno de 10 mil reais, algo que para nós é inacessível", desabafa. Andy também diz acreditar na força do seu trabalho para conquistar as necessidades da família. "Eu acho que se as pessoas soubessem um pouco dos livros, eu acho que elas iriam gostar. Mas, infelizmente, eu não consegui estourar 'minha bolha' das redes, ainda, sabe?". Nessa tentativa de manter a escrita como uma carreira, Andy se vê como alguém "multitarefa". "No momento eu não consigo trabalhar fora, porque minha mãe necessita muito de mim. Se ela vai no médico, se ela vai fazer um exame, sou eu que vou com ela. [...] Por isso eu fico em casa e vou trabalhando com o que aparece. Eu trabalho com biscuit, eu faço boneco tipo 'Funko Pop', decoração para topo de bolo... Enfim, o que as pessoas me pedirem para fazer, mesmo que eu não saiba, eu falo que faço, vou atrás e entrego", finaliza. Escritor faz campanha para vender livros e financiar aparelho auditivo para a mãe Redes sociais / Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
Fonte: g1.globo.com