Abstenção em Minas Gerais cai de 22,8% para 20,3% no segundo turno A abstenção eleitoral em Minas Gerais caiu de 22,81% no primeiro turno das eleições deste ano, em 4 de outubro, para 20,33% no segundo, realizado neste domingo (25). De acordo com dados da Justiça Eleitoral, o número de mineiros que não compareceram às urnas passou de 3.735.098 para 3.327.941, uma redução de 10,9% no total de eleitores ausentes entre as duas etapas da votação. Ou seja, foram 407.157 eleitores a mai

Abstenção em Minas Gerais cai de 22,8% para 20,3% no segundo turno A abstenção eleitoral em Minas Gerais caiu de 22,81% no primeiro turno das eleições deste ano, em 4 de outubro, para 20,33% no segundo, realizado neste domingo (25). De acordo com dados da Justiça Eleitoral, o número de mineiros que não compareceram às urnas passou de 3.735.098 para 3.327.941, uma redução de 10,9% no total de eleitores ausentes entre as duas etapas da votação. Ou seja, foram 407.157 eleitores a mais no segundo turno. Apesar da queda de 2,48 pontos percentuais, mais de 3,3 milhões de eleitores mineiros deixaram de votar na disputa pela Presidência da República. O índice representa aproximadamente um em cada cinco eleitores do estado. Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O aumento do comparecimento ocorreu em meio à virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, único estado em que houve uma inversão na liderança entre os dois turnos. Depois de ficar atrás do adversário na primeira etapa no estado, o petista conquistou 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do candidato do PL, uma diferença de 109.313 votos. Para cientistas políticos ouvidos pela reportagem da TV Globo, a redução da abstenção e a mudança no resultado estão relacionadas à mobilização de jovens e idosos, ao engajamento nas redes sociais e ao crescimento da rejeição à possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Esta reportagem aborda a abstenção em MG a partir dos seguintes pontos: Grande BH e Norte de Minas tiveram papel decisivo Rejeição à família Bolsonaro ajuda a explicar virada Eleitorado mineiro cauteloso Papel da mobilização digital Mesmo com queda, abstenção permanece elevada Urna eletrônica nas eleições 2026 Clara Sganzerla/g1 Grande BH e Norte de Minas tiveram papel decisivo O cientista político Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva, avalia que a mobilização de eleitores na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Norte de Minas foi determinante para a redução da abstenção e para o desempenho de Lula no estado. Segundo ele, o movimento não ocorreu com a mesma intensidade em outras regiões mineiras, como o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro. Ricci também destaca o papel dos jovens na mobilização de familiares que haviam deixado de votar no primeiro turno, especialmente os idosos, para quem o voto é facultativo a partir dos 70 anos. "Houve uma união muito peculiar e inusitada dos bem jovens com os bem idosos, que foram aqueles que não votaram no primeiro turno e que vieram aos montes nesse segundo turno", disse. Na avaliação do especialista, a movimentação ganhou força nas três semanas que antecederam a votação e foi intensificada pela repercussão de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o Nordeste e pelas participações de Flávio Bolsonaro nos debates da Band e da TV Globo. Ricci considera que os episódios provocaram reações entre eleitores indecisos e contribuíram para ampliar a participação eleitoral, especialmente em Minas Gerais. Rejeição à família Bolsonaro ajuda a explicar virada Para o cientista político Felipe Nunes, o resultado em Minas Gerais reflete uma mudança na forma como os eleitores avaliaram a disputa presidencial entre o primeiro e o segundo turnos. Segundo ele, enquanto a primeira etapa funcionou como uma espécie de avaliação do governo Lula, a segunda passou a ser marcada pelo receio de um retorno da família Bolsonaro ao poder. "Quando a eleição foi um sim ou não a favor do Lula, os mineiros votaram contra. Quando se tornou uma eleição plebiscitária em relação ao Flávio, os mineiros acabaram votando em favor da continuidade", explicou. Em Minas, Lula recebeu 1,16 milhão de votos a mais no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou aproximadamente 464 mil votos em relação à primeira etapa. Eleitorado mineiro cauteloso Nunes avalia que a mudança também está relacionada ao perfil do eleitorado mineiro, que, segundo ele, tende a tomar decisões de forma mais cautelosa e a manter a indefinição do voto por mais tempo. "Nós, mineiros, somos muito cautelosos, cuidadosos com as decisões em geral e, na política, isso sempre foi verdade. [...] No fim, esse medo que aumentou no Brasil inteiro e também em Minas da volta da família Bolsonaro acabou pesando", afirmou. O cientista político aponta ainda que a melhora na avaliação do governo federal durante a reta final da campanha contribuiu para a decisão de parte dos eleitores pela continuidade do atual presidente. Papel da mobilização digital Outro fator destacado por Nunes foi a mobilização digital. Segundo ele, dados do Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest mostram que Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro em popularidade nas redes sociais durante o segundo turno, depois de encerrar a primeira etapa atrás do adversário. O especialista cita, inclusive, a atuação do deputado federal mineiro André Janones (Avante) como um dos fatores que contribuíram para ampliar a mobilização virtual. "Essa mobilização de rede, que, claro, mobilizou o jovem a levar os avós para votar, fazer os pais votarem, foi, como eu disse, inédita. Um padrão de comportamento que a gente não conhecia no Brasil recente", declarou. Mesmo com queda, abstenção permanece elevada Apesar da maior participação no segundo turno, Rudá Ricci considera que o índice de 20,33% de abstenção em Minas Gerais ainda é elevado, especialmente porque o voto é obrigatório para a maior parte do eleitorado brasileiro. Para o cientista político, a ausência de uma parcela significativa dos eleitores revela dificuldades de identificação com os candidatos e com o sistema político. "É uma falta de identidade com aquele que quer ser representante. Como vai ser representante se ele não quer me representar, ele quer se representar?", questionou. Segundo Ricci, o problema vai além do desinteresse pelas eleições e está relacionado à percepção de que o debate político não aborda as necessidades cotidianas da população. "Eu acho que isso não é exatamente uma crise da democracia. É uma crise do sistema político que não consegue falar com o eleitor", concluiu. 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Fonte: g1.globo.com